Apoio a Mulheres numa Gravidez Indesejada

Ainda não nasci

Decidi, hoje, escrever uma carta, nada melodramática, mas verdadeiramente robusta e eloqüente.

Não há que se volver, com freqüência, ao passado: este é ido e, como tal, pertence aos arquivos da memória. Jamais se fará novamente presente, muito menos futuro!

Sofrer por amores, recentes ou anciãos que sejam, vai além do masoquismo: é

se comprazer no absolutamente insustentável! Portanto, é fragilidade, é inconsistência, é incompatível com a sabedoria!

Insistir em reconhecidos erros é mais que obstinação: é falta de auto-crítica, de discernimento, até mesmo de pudor.

Arraigar-se em devaneios se estende além da holística percepção do real: é ignorar fatos, desprezar conhecimentos, transcender o tangível humano que somos!

Existem, porém, determinados sentimentos, comportamentos e transgressões que se impõem e são, até mesmo, aceitáveis:

como lidar com a paixão, por exemplo? Existem normas, regulamentos, instruções - plausíveis e eficazes?

e a traição?... apressa-te em ensinar-me, se é que o sabes!

como lidar com a finitude, se tudo o que fazemos é tão somente sobreviver a ela?

Decidi, hoje, escrever uma carta endereçada à infância, que me foi roubada, à juventude, de que não desfrutei, à velhice, que insisti em antecipar por não saber lidar com a frustração de não haver degustado a vida!

Mensagem póstuma?!...

Como?!...

Se nem ao menos nasci?!...

Autoria: Dr. Renato Nogueira (oncologista)

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